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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sobre fé.

Se amor e sexo causaram um reboliço, não imagino o que esse assunto pode causar... mas é uma teoria que vem sendo estudada há muitos anos, que me interessa muito e que eu acho que finalmente está pronta pra ser dividida.

Antes de tudo eu quero dizer que não sou ateia. Não prego nenhum tipo de filosofia religiosa nem tenho qualquer intenção de ofender ninguém. Muito pelo contrário, eu tenho uma opinião bem formada sobre fé religiosa e o que ela consegue proporcionar às pessoas. Talvez a algumas religiões que promovam ideais que eu considero errados, como superioridade de raças ou a inferioridade delas, sujeição de mulheres, homens, crianças e pessoas em geral a situações humilhantes e desumanas, religiões que querem determinar como as pessoas devem viver suas vidas... enfim. Essas talvez eu queira ofender por puro princípio, mas o que eu tenho para dizer não será dirigido a nenhuma em especial.

Pois bem. Vamos criar o contexto.

Nunca fui religiosa nem praticante de nenhuma religião. Acompanhei meu pai em alguns cultos e viagens da igreja messiânica, frequentei e participei de missas e festivais no templo budista da minha cidade, sobre o qual eu tenho um carinho muito especial, pois é onde a minha família materna frequenta, estudei em escola católica durante 5 anos, algumas das minhas amigas mais queridas são fervorosamente evangélicas, outras igualmente católicas, alguns amigos são ateus e muitos são espíritas. Acho que daqui pode-se concluir que falta de contato, de informação, de debates não causaram a conclusão a qual eu cheguei.

Uma vez, durante uma aula de história ainda no Ensino Médio, meu professor Pedro falava sobre o politeísmo, as religiões antigas que cultuavam diversos deuses em vez de um só. O que me intrigava no entanto, não eram a multiplicidade de entidades e sim como em vários lugares do mundo, que na época não tinham contato, comunição de qualquer tipo, sempre desenvolveram algum tipo de filosofia religiosa no qual tinham tanta fé a ponto de determinar suas vidas, a estrutura de suas sociedades, sua cultura, nos moldes dela.

Deu pra entender? Explico melhor. Será que é instinto humano procurar uma razão, um motivo, uma explicação sobre as coisas da vida fora do que vivenciam, do que sofrem e do que conseguem ver? Minha professora de antropologia respondeu "certamente que sim".

Então, o que mais me incomoda nessa históra inteira, independente de Zeus, Buda, Sol, Rá, Cristo, Alá... é que algo levou humanos em diversas partes do mundo a desenvolverem todo um estudo, uma estrutura e uma devoção a alguma divindade.

A minha conclusão lógica, eu disse lógica, em cima disso me dá duas respostas. A primeira é que independente de origem, hemisfério, época, desenvolvimento, status, etc, é do humano procurar respostas numa divindade. E a outra é que cada cultura, grupo, sociedade, desenvolveu a sua resposta com base em seus vários fatores, como natureza e história, de modos bem diferentes, ainda que guardem algumas semelhanças, de modo que se uma estiver errada, outras também poderão estar, mas se uma estiver certa, não quer dizer que todas estão.

Confuso demais?

Enfim, o que eu quero explicar com toda essa bagunça é que não temos divindades andando entre nós, explicando situações, dando aulas, entrevistas, escrevendo livros ou competindo com outras para comprovar suas ideias. O nome de quem faz isso é cientista.

Calma, lembra que eu disse que não sou ateia? Pois é.

Eu acredito que existe sim algo maior que todos nós. Não acredito por um segundo que nós sejamos os únicos de um universo inteiro, simplesmente porque acho uma baita prepotência e egocentrismo. E acredito que em momentos de teste, algumas situações nos mostram que certas coisas não podem ser explicadas por coincidência, truques ou fantasia. Não acredito que o mundo inteiro que você tem dentro da sua cabeça simplesmente se apague quando a hora chega nem que as pessoas só nascem pra viver da forma que a situação de origem determina.

Mas acima de tudo, eu acredito que um deus, ou uma divindade, jamais determinaria rótulos, regras mundanas, e principalmente, a sujeição de outro igual a você a qualquer situação menor do que você mesmo merece só porque são diferentes.

Pra mim, esse algo maior é a energia pura que faz os planetas girarem em torno do sol, que faz as estações mudarem, que permite o milagre da criação de uma vida e que faz um coração bombear sangue. Que criou o cérebro humano, capaz de coisas inimagináveis, um mundo dentro de cada pessoa. É uma energia que é em si inexplicável, mas tão viva que leva humanos a tentarem defini-la e compreende-la desde que existimos. 

Todas as coisas que eu mencionei tem explicação científica. Mas ainda que cientificamente demonstrados, não há quem explique o porque de ser assim e não de outro jeito. Essa é a minha fé religiosa.

Eu sinceramente não acredito que um livro escrito por humanos seja o guia infalível, correto e determinante. Respeito como a qualquer outra antiguidade histórica, como a qualquer outro símbolo, e respeito como uma fonte de esperança e de ensinamentos para muitas pessoas. Mas eu não consigo aceitar uma coisa que diz pregar amor universal e ao mesmo tempo elenca exceções. Enfim.

Todos os dias eu me deparo com situações e pessoas que me levam a reanalisar, repensar, adaptar, reinventar, redescobrir, reaprender. Eu vejo isso como uma habilidade. 

Quando alguém prega para mim que só sou assim porque uma divindade permite, eu digo que essa pessoa está absolutamente correta. Correta e não certa. Se sou assim porque permitem, então é permitido que eu seja assim.

Estou torcendo que muitos comentários indignados apareçam. Alguns já me mandaram e-mails, mas quem não souber, o e-mail do blog é atelofobicos@gmail.com. O twitter é @atelofobica_a. Não tive tempo de colocar os links aqui na página ainda nem de mexer na conta do twitter, mas sintam-se livres para derrubar minhas teorias. Só, por favor né, argumentem.

Beijos!

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