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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre dor.

Às vezes parece um exagero... Sabe? Sentir as coisas demais.

É engraçado como existe médico pra tudo mas na maioria das vezes em que você sente dor e procura um, acaba tendo que lidar com ela sozinha.

Faz parte da vida cada um ter que lidar com as suas dores sozinho?

Na minha vida eu aprendi que sim.

Não me entenda mal, não sou vítima nem levo uma vida difícil. Com certeza existem muitas pessoas com muito mais direito de reclamar da vida que eu. Mas e o que a gente faz com a dor? Porque independente de quanto direito a gente tenha ou não, quando dói a gente sente e pronto.

Fazia muito tempo que eu não sentia esse tipo de dor... é uma dor além do presente, além do explicável. É uma dor que é física, porque eu consigo sentir a tensão nos músculos do peito. E é uma dor psicológica porque quanto mais eu penso sobre isso, pior fica.

Não ser bom o bastante dói. Principalmente quando a única coisa que você queria era ser bom o bastante... nem precisava ser melhor. Ser mal interpretado sem nenhum esforço de ser compreendido dói. Principalmente se já é uma bola de neve com 24 anos de idade.

Essa bola de neve já pode beber em todos os países do mundo, já pode casar e ter filhos. Já pode ser independente e não precisar de ninguém. Mas bola de neve que é bola de neve, nunca vai ser independente porque foi feita a partir da angústia e da miséria de outras pessoas.

Me pergunto se é por isso que meu nome é neve... e pela primeira vez consigo me identificar com ele.

Medo de não ser bom o bastante... será que vem daqui?

Provavelmente.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sobre o amor #3

Facebookeando por aí eu me deparei com uma coluna excepcional. A autora está registrada como Laís apenas, mas fique claro que o texto não é meu e sim dela.

Porque Amor de Verdade Não Pode Ser Limpinho

Dias desses li uma frase que me deixou incomodada. Era sobre o amor e a intimidade não combinarem com erotismo. Algo como se o mistério fosse essencial para que houvesse o tesão. E fiquei intrigada tentando relembrar transas casuais – relação na qual o mistério predomina -, mentalizando assim qual foi o nível de satisfação sexual entre elas. Tudo o que veio em minha mente foi um emaranhado de posições mal encaixadas, aquele sutil desconforto de deixar o outro ver a luz do quarto penetrar tua pele nua e seu corpo em posições quem menos te favorecem, o efeito do álcool passando e a inibição voltando e fazendo com que você e cara ao teu lado fossem apenas dois estranhos dividindo, de maneira incômoda, o quarto.

Não me entenda mal, sou super a favor do sexo casual. Dou pra quem eu quero, a hora que quero e quando eu quero, mas acho que quando se busca qualidade a intimidade é um ponto a favor. Sabe aquele lance de que a prática leva a perfeição? Então, por aí. E não me venha tentar imacular o amor me falando de como esse sentimento é puro não deixando espaço para a libertinagem. Essa é apenas uma de suas facetas. É que o amor também sabe ser sujo. E para ter sujeira é preciso existir cumplicidade.

Só com muita intimidade a gente se sente confortável para revelar nossas vontades mais toscas, nossas taras mais bizarras sem medo de ser feliz ou de ser taxado como pervertido. Somente quando confiamos em alguém nos atrevemos a partilhar coisas das quais normalmente nos envergonharíamos. Não dizia Nelson Rodrigues que “se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava”? Então, ele estava certo. É na quietude dos lençóis branquinhos com arabescos na fronha em uma cama de casal que mora o perigo. Você pode descer até todos os inferninhos mais mequetrefes da Augusta. Pode pegar a puta mais barata e transar com ela em um banheiro onde cheiram cocaína. Mas isso não chega nem perto da putaria que ocorre no lençol cheirando a amaciante de uma cama de casal.

O amor é muito mais imundo que qualquer depravação. É aquela vontade de morder sua axila, de cheirar sua nuca, rasgar seu ombro. Não existe putaria maior que saborear sem nojo toda a pessoa por inteira, sem frescuras ou restrições. Amor é nos sentirmos confortáveis com nossos desejos mais íntimos quando encontramos alguém com quem fazer um pacto secreto de conivência diante das bizarrices do outro. Algo como: o que acontece em Vegas, fica em Vegas. É admitir nossa fragilidade e permitir que o outro faça contigo algo que jamais nos submeteríamos com um estranho. É o laço de lealdade se aprofundando a cada aumento de devassidão.

O amor é sujo. Porque o amor é lindo. O amor é feio. Tem cheiro de mijo. Te leva ao céu. Te tira o chão. Te rouba a consciência. Te surra. Te esmurra. Te fode de um jeito “te bato porque te amo”. O amor é sujo. E eu e você somos cúmplices dessa sujeira. Tipo Bonnie e Clyde. A gente se ama, se entrega. A gente inventa e aperfeiçoa o nosso sexo. A gente não apenas troca fluídos corporais. A gente fode com a alma. A nossa sintonia me faz achar as pintinhas do seu ombro a coisa mais tesuda do mundo e você quase goza só olhando a curva das minhas costas. Quer putaria mais absurda que essa?


Nota da editora: Lendo essa ótima coluna da Laís, não pude deixar de lembrar de um trecho sensacional da crônica Pela Noite, de Caio Fernando Abreu, publicada no livro Triângulo das Águas que resume muito essa ideia. Ele diz assim:

” Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido.[…] O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também.”

Sou fanzaça de Caio Fernando de Abreu. 
Verdade seja dita, né? Amor limpinho é coisa de novela, de ficção.

Beijo!

Via Xonei

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sobre fé.

Se amor e sexo causaram um reboliço, não imagino o que esse assunto pode causar... mas é uma teoria que vem sendo estudada há muitos anos, que me interessa muito e que eu acho que finalmente está pronta pra ser dividida.

Antes de tudo eu quero dizer que não sou ateia. Não prego nenhum tipo de filosofia religiosa nem tenho qualquer intenção de ofender ninguém. Muito pelo contrário, eu tenho uma opinião bem formada sobre fé religiosa e o que ela consegue proporcionar às pessoas. Talvez a algumas religiões que promovam ideais que eu considero errados, como superioridade de raças ou a inferioridade delas, sujeição de mulheres, homens, crianças e pessoas em geral a situações humilhantes e desumanas, religiões que querem determinar como as pessoas devem viver suas vidas... enfim. Essas talvez eu queira ofender por puro princípio, mas o que eu tenho para dizer não será dirigido a nenhuma em especial.

Pois bem. Vamos criar o contexto.

Nunca fui religiosa nem praticante de nenhuma religião. Acompanhei meu pai em alguns cultos e viagens da igreja messiânica, frequentei e participei de missas e festivais no templo budista da minha cidade, sobre o qual eu tenho um carinho muito especial, pois é onde a minha família materna frequenta, estudei em escola católica durante 5 anos, algumas das minhas amigas mais queridas são fervorosamente evangélicas, outras igualmente católicas, alguns amigos são ateus e muitos são espíritas. Acho que daqui pode-se concluir que falta de contato, de informação, de debates não causaram a conclusão a qual eu cheguei.

Uma vez, durante uma aula de história ainda no Ensino Médio, meu professor Pedro falava sobre o politeísmo, as religiões antigas que cultuavam diversos deuses em vez de um só. O que me intrigava no entanto, não eram a multiplicidade de entidades e sim como em vários lugares do mundo, que na época não tinham contato, comunição de qualquer tipo, sempre desenvolveram algum tipo de filosofia religiosa no qual tinham tanta fé a ponto de determinar suas vidas, a estrutura de suas sociedades, sua cultura, nos moldes dela.

Deu pra entender? Explico melhor. Será que é instinto humano procurar uma razão, um motivo, uma explicação sobre as coisas da vida fora do que vivenciam, do que sofrem e do que conseguem ver? Minha professora de antropologia respondeu "certamente que sim".

Então, o que mais me incomoda nessa históra inteira, independente de Zeus, Buda, Sol, Rá, Cristo, Alá... é que algo levou humanos em diversas partes do mundo a desenvolverem todo um estudo, uma estrutura e uma devoção a alguma divindade.

A minha conclusão lógica, eu disse lógica, em cima disso me dá duas respostas. A primeira é que independente de origem, hemisfério, época, desenvolvimento, status, etc, é do humano procurar respostas numa divindade. E a outra é que cada cultura, grupo, sociedade, desenvolveu a sua resposta com base em seus vários fatores, como natureza e história, de modos bem diferentes, ainda que guardem algumas semelhanças, de modo que se uma estiver errada, outras também poderão estar, mas se uma estiver certa, não quer dizer que todas estão.

Confuso demais?

Enfim, o que eu quero explicar com toda essa bagunça é que não temos divindades andando entre nós, explicando situações, dando aulas, entrevistas, escrevendo livros ou competindo com outras para comprovar suas ideias. O nome de quem faz isso é cientista.

Calma, lembra que eu disse que não sou ateia? Pois é.

Eu acredito que existe sim algo maior que todos nós. Não acredito por um segundo que nós sejamos os únicos de um universo inteiro, simplesmente porque acho uma baita prepotência e egocentrismo. E acredito que em momentos de teste, algumas situações nos mostram que certas coisas não podem ser explicadas por coincidência, truques ou fantasia. Não acredito que o mundo inteiro que você tem dentro da sua cabeça simplesmente se apague quando a hora chega nem que as pessoas só nascem pra viver da forma que a situação de origem determina.

Mas acima de tudo, eu acredito que um deus, ou uma divindade, jamais determinaria rótulos, regras mundanas, e principalmente, a sujeição de outro igual a você a qualquer situação menor do que você mesmo merece só porque são diferentes.

Pra mim, esse algo maior é a energia pura que faz os planetas girarem em torno do sol, que faz as estações mudarem, que permite o milagre da criação de uma vida e que faz um coração bombear sangue. Que criou o cérebro humano, capaz de coisas inimagináveis, um mundo dentro de cada pessoa. É uma energia que é em si inexplicável, mas tão viva que leva humanos a tentarem defini-la e compreende-la desde que existimos. 

Todas as coisas que eu mencionei tem explicação científica. Mas ainda que cientificamente demonstrados, não há quem explique o porque de ser assim e não de outro jeito. Essa é a minha fé religiosa.

Eu sinceramente não acredito que um livro escrito por humanos seja o guia infalível, correto e determinante. Respeito como a qualquer outra antiguidade histórica, como a qualquer outro símbolo, e respeito como uma fonte de esperança e de ensinamentos para muitas pessoas. Mas eu não consigo aceitar uma coisa que diz pregar amor universal e ao mesmo tempo elenca exceções. Enfim.

Todos os dias eu me deparo com situações e pessoas que me levam a reanalisar, repensar, adaptar, reinventar, redescobrir, reaprender. Eu vejo isso como uma habilidade. 

Quando alguém prega para mim que só sou assim porque uma divindade permite, eu digo que essa pessoa está absolutamente correta. Correta e não certa. Se sou assim porque permitem, então é permitido que eu seja assim.

Estou torcendo que muitos comentários indignados apareçam. Alguns já me mandaram e-mails, mas quem não souber, o e-mail do blog é atelofobicos@gmail.com. O twitter é @atelofobica_a. Não tive tempo de colocar os links aqui na página ainda nem de mexer na conta do twitter, mas sintam-se livres para derrubar minhas teorias. Só, por favor né, argumentem.

Beijos!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Sobre o amor. #2

Fiquei impressionada com o feedback que eu tive em apenas um dia. Além dos comentários super positivos, recebi um e-mail e mensagens de algumas pessoas especiais.

Ok, vamos lá!

Eu descobri que eu sou atelofóbica há algumas semanas quando um amigo postou no facebook o significado de atelofobia. Pesquisei um pouco mais e cheguei a essa conclusão. O meu caso não é do tipo grave que leva à paranóia, à depressão grave ou algo assim. Se for o seu caso, não hesite em procurar ajuda. O mito de que quem vai ao psicólogo ou psiquiatra é doido, é pensamento de gente ignorante. Não é o seu caso. Sempre que perceber que não vai conseguir resolver algo sozinho, procure ajuda.

A minha atelofobia me trava na hora de tomar decisões, de me arriscar, de me relacionar, de me expor. Acho que fora algumas inseguranças a pior consequência dela foi ter escolhido Direito pra cursar em vez de Arquitetura e Design, porque eu acreditei de verdade que não tinha talento o bastante pra me distinguir. Um medo normal eu acho, considerando uma pessoa de 17 anos com pais temerosos pelo meu futuro que alimentaram ainda mais a minha fobia. Acabou que se eu não tivesse escolhido essa área, não conheceria muita gente, não teria feito muitos amigos muito, muito especiais e não teria enfrentado muitas situações que me ensinaram muito. Então a fobia tem seu lado positivo... sem falar que esse medo está sempre me empurrando a melhorar, enfrentar, superar e me arriscar. Sei lá, o fato é que eu descobri que é o meu caso e vou usar esse blog pra discutir as minhas teorias, enfrentar o medo de me expor e ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Eu disse isso no #1 mas vou repetir que não sou especialista no assunto. Óbvio. Nem pretendo agir como se fosse e elencar coisas que se deve fazer para ser feliz. Iria contra toda a ideia do meu objetivo. Eu exponho a minha posição, a minha teoria e sempre que tiver resposta, eu vou reanalisar e ir aprimorando. Eu acho que vejo o amor com olhos de alguém que já sofreu e superou, e com os olhos de uma criança. Se isso for possível, eu espero que vocês interpretem assim. 

Acho que a parte que mais incomodou meus leitores foi a curiosidade pelo amigo nada querido, rs. Mostra que tenho muitos amigos que se consideram queridos! Não se preocupem, esse amigo nada querido começa com a letra "J", e nós dois não temos contato há muito tempo. Como eu aprendi muita coisa com ele, daqui pra frente quando eu for comentar algo sobre os "ensinamentos da mente masculina", vou me referir a ele como J. e ninguém vai precisar se preocupar com isso.

Eu queria dizer que querendo ou não, cada um de nós formula uma ideia de amor na cabeça e que ele, ainda por cima, acontece em níveis diferentes, de formas diferentes. Vai dizer que você arriscaria sua vida por aquele marido ou aquela esposa que nunca pensa em você antes de tomar decisões, que nunca te considera? Tem que ser uma pessoa muito altruísta. Vai parecer idiota pra alguns mas é realidade pra muita gente.

Acho que incomodei alguns românticos também quando eu disse que a minha visão do amor era cruel e até umas mensagens de consolo eu recebi. Pois bem, agradeço todas mas não é o caso. Só pra esclarecer, eu já tive meu coração partido mais do que algumas vezes, já me apaixonei mais de uma vez e acredito que aquela "só se ama uma vez" seja um equívoco. Acho completamente possível, mas como exceção. Acho que o tal do grande amor aconteça quando ocorre empatia, compreensão, respeito, admiração e aceitação incríveis um pelo outro. Esse eu realmente não vivi ainda.

Mas eu não carrego amarguras e ressentimentos, portanto ser amarga e mal-amada não foram gatilhos pra minha epifania. Eu só já fui muito além das flores, das mãos dadas e momentos felizes. Depois que as diferenças começam a se chocar, que os problemas começam a ser divididos e esse amor é testado pelo orgulho, pelo ego, e principalmente pela vida, é que você se depara com o amor. Antes disso, é só a ponta do iceberg.

Entendam: eu usei o termo cruel porque de fato, o amor é cruel. É cruel um sentimento capaz de fazer você abandonar seus desejos mais íntimos, seus hábitos e até a própria vida em casos extremos, capaz de fazer você se sacrificar e se abster. Isso não faz dele feio pra mim, muito pelo contrário. Por ser um sentimento tão intenso, capaz de mover pessoas a fazerem coisas que nunca fariam nas CNTP, ele é sim o sentimento mais belo de todos.

Eu sei que fé e esperança estão passando pela cabeça de muitos, mas esses dois, pra mim, são sentimentos muito mais metafísicos, são muito mais abstratos. O amor dói sem precisar que algo ruim tenha acontecido, como é o caso da fé e da esperança e isso faz dele mais concreto.

O que eu queria defender era a integridade de uma pessoa que está em busca ou vive um amor. E isso se aplica ao fraternal, parental, familiar de qualquer espécie. Isso porque amar de verdade é aceitar e respeitar a outra pessoa além dos atributos físicos, hábitos e crenças.

Quando eu equiparei as reações dos homens e das mulheres, equiparar e não igualar, é porque eu não acho que só porque é homem ele naturalmente não acredita em amor, é grosso e não tem interesse em relacionamento sério. Eu conheço mulheres que são assim e outra, homens que não se encaixam de forma alguma nesses 3. Não dá pra rotular ninguém, não dá pra generalizar em tudo. Tem suas exceções, claro.

E nosso último ponto é sobre o sexo ser o motor do mundo. Eu quero fazer um artigo só com esse tema, mas pra adiantar... eu acredito que seja verdade. É uma verdade intrínseca, primitiva, às vezes inconsciente. Eu não tenho que convencer homens disso nesse caso, porque a cabeça deles meio que já funciona nessa direção. Mas pra mulheres é difícil, para as românticas principalmente. Não que eu não seja romântica, sou até demais, mas a realidade mostra que é assim. Se não pensar por esse lado, pense que pelo menos é a fonte de nascimento das pessoas. É de onde você veio, seus filhos, pais, tios, amigos, inimigos, 1 bilhão de chineses, quase 7 bilhões de humanos. Por mais que muitos já sejam do laboratório, a essência da criação humana é o sexo.

A perda de fé no amor, na existência e possibilidade de um relacionamento justo, saudável, capaz de resistir ao tempo e à vida, a ausência de casamentos felizes é que foram os gatilhos pra minha epifania. Só que ao invés de aceitar o que eu observava eu quis buscar uma solução. Essa teoria foi a que eu encontrei. Pode ser que no próximo comentário, na próxima vez em que eu me apaixonar, na próxima vez em que eu presenciar uma briga, etc, eu tenha uma outra epifania e reanalise essa teoria. Mas por enquanto, continuo atrás dela.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sobre o amor.

A verdade é que é tudo uma mentira.

Você quer me dizer que se eu mudar nisso, mudar naquilo, me “adaptar”, eu vou ser uma pessoa perfeita?
Eu não estaria inventando nenhuma mentira se eu dissesse que os comentários e as opiniões expressadas por aí são muito mais profundos e muito mais específicos, com seus quinze coisas do que não fazer, cinco frases para falar, dez mandamentos do relacionamento saudável. Essas pessoas não percebem a carga de responsabilidade que elas carregam?

A beleza da vida está na individualidade, na mistura de opiniões, de opções, de atitudes. 

Não estou dizendo que expressar a opinião é errado, muito pelo contrário. A diferença é que nem todas as pessoas com acesso à suas opiniões tem discernimento.

O que eu quero dizer é que os vídeos, comentários, imagens e status publicados por aí são só opiniões. Não são a verdade absoluta como parecem ser vendidos.

Dito isso, vou enfatizar que é tudo uma grande mentira. E quando se trata de amor, você tem pouquíssimas verdades. E uma delas é que você só vai ser amado pelo que é quando se comportar como realmente é e aí uma pessoa se apaixonar por você. Ponto final

Falar sobre o amor é uma arte, e como toda arte, ela vem de uma experiência, de um sentimento, de uma verdade, de uma ilusão, um medo... e todos eles são pessoais. Aprender com o erro dos outros é ser esperto, viver somente pelo acerto dos outros é uma baita duma burrice.

Não tem nada mais sexy do que espontaneidade, mais atraente do que confiança e mais encantador do que sinceridade.

Um dia você vai acordar e perceber que aquela pessoa dormindo do seu lado não tem ideia de quem você é, e todos os posts, canais do youtube, ou até do redtube, não vão adiantar nada.

E nem venha me dizer que você não acredita em amor, não quer saber de amor e não passa um batom ou compra uma camisa nova sem ter uma partezinha de você que espera conhecer aquela pessoa especial, que é um assunto bobo e "de menina".

Uma coisa que um amigo nada querido me explicou um tempo atrás é que o amor é só uma desculpa pra levar uma mulher pra cama, pra explicar paixão. Que amor é uma ilusão feminina. Que todo esse meu papo sobre amor é só uma consequência dos filmes da Disney que eu assisti na infância e das bonecas que eu brinquei. Ai pelo amor de Deus... Quer dizer que crianças que cresceram sem príncipes e princesas, sem bonecas, também não esperam encontrar um amor um dia?

Amor é uma palavra linda que pode ter um milhão de significados. Mas o único que nos interessa aqui é que quem disser que não acredita nele ou não tem o menor interesse em receber amor, está mentindo. Taí mais uma das verdades sobre o amor.

O motor do mundo é o sexo. Concordo. A minha visão do amor não é cor-de-rosa, não é do príncipe que salva uma princesa que ele nunca viu antes, não é linda. A minha visão do amor é cruel. É dura, fria, dissecada. A minha manicure passou dos 40 e jura que o príncipe encantado dela vai vir, brotar do chão, lindo, perfeito e charmoso.

E apesar de poder haver sexo sem amor, sem comentários nesse ponto, é impossível haver amor sem sexo. É uma verdade sobre o amor que muitos homens adoram odiar. Mas sobre sexo, eu falo numa outra oportunidade.

Por mais insólito, devasso, frio, seco que você talvez seja, por mais que você já tenha sofrido, já tenha chorado, já tenha recebido uma “verdade” dura na cara, já tenha se decepcionado três milhões de vezes, o “amor” vai beliscar sua consciência, sua moral, seu sexo, sua verdade.

Naquele momento de verdade pessoal, entre você e você mesmo, uma partezinha de você vai desejar que alguém que saiba das suas verdades, que conheça toda sua podridão e a sua breguice, que conheça as suas virtudes escondidas ou que aprecie suas habilidades, te dê um apoio, um colo, sexo, ou até uma palavra ou um olhar de compreensão. Ser compreendido é essencial para o ser humano.

Quer uma namorada que seja louca por você? Um marido apaixonado que tenha tara pelo seu corpo, pela sua mente, sua personalidade?

Seja você mesmo.

Abandonar ou esconder hábitos que te tornam quem você é para agradar outra pessoa é mentir. Abraçar atitudes que você nunca tomaria, mas que alguém determinou como certa, é mentir.

Quer ser amado por quem você é, ser aceito, saber o que é amor de verdade? Seja você mesmo e aprenda a respeitar, tolerar, não julgar e a esperar pra ver no que dá com as outras pessoas. As da rua, do shopping, do bar, do trabalho, da escola. Elas é que são pessoas reais, com emoções reais. 

Amar de verdade é libertar. Um relacionamento saudável é aquele em que o amor um pelo outro excede a necessidade de um pelo outro. (Dalai Lama)

É o que eu acho sobre o amor.

Não se abandone.

Seja bobo, brega, meloso, duro, tarado, frio, racional, irracional, você sem a ajuda de ninguém. E um dia alguém bobo, brega, meloso, duro, tarado, frio, irracional, emotivo e real, vai se encantar com a sua verdade.


Tirado do quase-sem-ar.tumblr.com

Lembrando que o que eu estou defendendo não é nunca mudar, ficar estancado num ponto de vista, abraçar seus defeitos ou se despir do bom senso. Eu defendo o não abandono da sua essência para mascarar uma personalidade, para tentar parecer "melhor". Defeitos devem ser entendidos e consertados por amor a si mesmo. Amor próprio vem antes do amor a qualquer outra coisa. 

Se você não sabe ser feliz sozinho, não jogue a sua miséria em cima de outra pessoa. Um relacionamento é pra somar, e nunca subtrair.

Dalai Lama disse: quando se tratar de amor e comida, aprecie com total abandono. Abandono dos outros, das opiniões e dos medos.



***


Apresentando o blog Atelofóbicos Anônimos, Atelophobia que vem do grego: ατελής, Ateles ", imperfeito, incompleto" e φόβος, Phobos, "medo") significa o medo de não ser bom o suficiente ou de ser imperfeito.

Como a maioria das boas invenções, esse blog surgiu de uma indignação, um medo e uma necessidade. Me indigna ouvir um discurso conformista, que queira ditar de que forma eu devo agir para ser aceita; me apavora a ideia de ser só mais um, de não ter feito nada para mudar algo que eu acho errado, de não deixar nenhuma marca; e pra mim é essencial encontrar uma maneira, uma saída, uma solução, sem me abandonar, sem precisar ser completa de acordo com o conceito de outra pessoa.

Eu sou uma observadora, não tenho estudo na área nem participo de grupos de ajuda. Sou formada em Direito, estudo pra concurso, moro em Brasília, tenho 25 anos e já passei por um bocado. Esse bocado com certeza é muito menos que muita gente. E pra mim, aí é que tá a beleza da coisa. Então por favor critiquem, se exponham, me exponham, derrubem as minhas teorias. A brincadeira é mudar, aperfeiçoar ou extinguir conceitos pré-formados e equivocados. E perder o medo de não ser bom o bastante.

O blog não vai tratar de assunto específico. Geralmente o tema brota de alguma epifania, como é o caso do de hoje, ou de alguma conversa, experiência, causo ouvido em algum lugar, enfim. A ideia é, no medo de ser imperfeita, de não ser boa o bastante, vamos redimensionando nossos pontos de vista. 

A epifania de hoje aconteceu depois de assistir o filme Silver Linings Playbook, ou O Lados Bom da Vida, em português, estrelado pela Jennifer Lawrence e pelo Bradley Cooper. 


Tirado do site IMDB.
 "Eu não namoro desde antes do meu casamento, não sei mais como funciona."
"Como o quê funciona?"

"Eu vi o jeito como você olhava pra mim. Você sentiu, eu senti. Não minta. Nós não somos mentirosos como eles." 
Ele estreiou nos EUA em outubro do ano passado, onde já foi até lançado em dvd que é como eu assisti, mas no Brasil isso só vai acontecer dia 8 de fevereiro desse ano.
Como o post já está imenso, vou tentar não falar muito. Mas já de primeira eu digo que é um filme excelente.

Pra resumir bem a estória, ele é um cara com transtorno bipolar severo, que quase matou o amante da mulher de tanta porrada e foi internado numa instituição psiquiátrica. Ela é depressiva e se tornou ninfomaníaca depois de perder o marido policial que foi morto num assalto, quando ia comprar lingerie pra dar de presente a ela, porque não transavam há muito tempo.

Eles se conhecem sem querer e justamente porque são "loucos" que falam a verdade sem escrúpulos, começam a se entender. Eu não consegui definir como comédia romântica, é mais um drama que não te deixa triste, mas com qual você se identifica (medo!) e que te faz rir.

Quem assistiu Jogos Vorazes, a Jennifer é a protagonista da saga que ganhará mais um filme esse ano, Katniss Everdeen. E quem assistiu Se beber, não case e Sem Limites, ele é o Phil no primeiro e Eddie Morra no segundo.

A minha epifania sobre o amor, sobre a loucura do amor brotou depois de ver esse filme. Não é um conceito formado somente em cima do filme, por favor.

Mas de ideias e pensamentos que eu já vinha cozinhando em fogo baixo, e finalmente consegui expor depois de me dar conta de algumas coisas; como por exemplo que ele ficar louco por ela, aconteceu por causa da "loucura" dos dois. Aparentemente incompatíveis, e sem medir palavras e palavrões, os dois conseguem curar as feridas que levaram ao estado de "loucura". Muito bom.

Sei lá. Achei um filme unissex.

Acho que chega de falar, rs.

Sejam bem vindos. Prometo tentar fazer posts menores no futuro.


Tirada do wikipedia.